quarta-feira, 4 de abril de 2012


A angústia da espera pelo resultado do exame de HIV - Elisa
Os piores sete dias da minha vida


                    Nada que eu disser aqui descreverá o que senti naqueles sete dias de espera. Após caminhar por quase quarenta minutos em linha reta na rua do hemocentro juntei as forças que não sabia que me restavam, até chegar no meu prédio. Passei pelo porteiro, e não contive as minhas lágrimas, elas banhavam o meu rosto e denunciavam  que algo terrível havia acontecido. Ele me perguntou o que estava havendo, mas apenas ouvi um balbucio longe, pois tudo o que dissera se tornara uma frase sem nexo, diante do que eu "não estava pensando". Sim, porque meus pensamentos não tinham forma. Não sei explicar o que pensava naquele momento, porque não se pensa em nada e se pensa em tudo ao mesmo tempo, nessas horas. Cheguei ao meu apartamento e sentei em minha cadeira de frente ao notebook, a única coisa que lembro é  de ter aberto a minha bíblia, que já empoeirada, encontrei sobreposta à resma de papéis da mesinha do computador. Abri-a aleatoriamente e caiu em Isaías Capitulo 51. Soluçava, num pranto sem fim, e só sabia repetir: Que horror, Meu Deus. Que horror, não me deixe estar com isso!!!!! 
Meus gritos ecoavam    em toda a minha casa, e em minutos minha camisa estava encharcada  de suor e lágrimas. Neste momento não tinha aparência, amigos, dote, absolutamente nada capaz de me confortar...
E assim, permaneci por seis dias ininterruptos... Não comi, não bebi, não atendi a campainha, não usei telefone celular. Me isolei de tudo e de todos, e jogado ao chão do meu apartamento, chorei seis dias e seis noites direto, num misto de dúvidas e culpa. Sim, de culpa, pois eu sabia exatamente de toda a minha vida, e de tudo que tinha feito até então. Tinha consciência da vida leviana que levei, da falta de respeito pelo meu corpo, à minha saúde.Todo o meu desejo louco por sexo fácil, despudorado, e o meu vigor e orgulho do ativão socador, que outrora era meu troféu, se resumia a um pranto doído e esmagador. Ali, naquele momento, eu era o meu acusador e o meu alento ao mesmo tempo. Queria encontrar respostas para tudo aquilo, queria saber como isso havia ocorrido comigo, quem havia ousado me contaminar, eu sempre fui  o fodão, o esperto. O cara que tinha frases prontas para tudo, o bom da boca que não perdia uma investida ou oportunidade de sexo (como se isso fosse uma grande vantagem, ou me valesse de alguma coisa naquele momento).
                          O resultado saiu dia 08 de Junho de 2011. Um dia antes, dia 07, numa terça feira resolvi usar pela primeira vez naquela semana, o celular, e contar para a minha família. Pois não sabia qual resultado daria, e eles precisariam saber, pois não suportaria segurar sozinho a barra de um sim.

                                                         CONTINUA...

2 comentários:

  1. Acho que o seu e-mail está incorreto. Enviei algumas vezes, porém retornou.

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    1. Ola Rafael, seja bem vindo ao Blog, recebi sua mensagem e agradeço por ter se identificado com meu relato (que lembro: é verídico). Continuarei sim a minha história, é so ficar ligado. Grande abraço.

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